como trabalhar viajando fez a gente ser mais produtivo e ganhar 6x mais


os nossos principais aprendizados sobre produtividade no trabalho enquanto viajamos o mundo

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Primeiro, nós tivemos que entender como era possível que as duas palavras fossem juntas: trabalhar, viajando. Depois, a gente teve que descobrir como distribuí-las na balança dos nossos dias. E só então, com alguma experiência, é que veio a constatação: podemos viver viajando e trabalhar viajando, sendo inclusive mais produtivos do que antes, e ganhando mais.

O que foi, no mínimo, uma grata surpresa para quem começou a jornada assumindo que ganharia bem menos. Largamos nossos cargos em uma empresa estabelecida, deixando para trás dois bons salários garantidos todo mês e promessas de carreira. Certos de que seria impossível conseguir a mesma renda viajando, estávamos dispostos a viver com menos (viajar era o mais importante), como se essa relativa precariedade fosse uma condição intrínseca à vida nômade.

como trabalhar viajando fez a gente ser mais produtivo e ganhar mais

era impossível imaginar o destino da nossa vida antes de largar o endereço fixo

gramvousa, 2018

Só não sabíamos se iríamos poder confiar em nós mesmos. Responsáveis pelos próprios horários e sedentos por ver o mundo, parecia improvável não cedermos à tentação de trocar o laptop pelas ruas de um novo lugar.

 

Ainda bem que estávamos errados

Nós acertamos ao supor que a nossa produtividade seria afetada, mas erramos quando imaginamos que seria negativamente. Também estávamos certos quando planejamos menos horas de trabalho diárias, mas novamente nos enganamos ao associar de imediato menos tempo de trabalho com menos dinheiro. E, para além disso, descobrimos outros desafios que nunca poderíamos prever antes de começar a trabalhar viajando.

 

Nossa motivação e nossa ansiedade de trabalhar viajando

Se você ama viajar e nunca teve que gerir o próprio tempo de trabalho, talvez te pareça quase impossível conciliar as tarefas da rotina com os passeios em um lugar novo, principalmente se não tiver ninguém cobrando. Para nós parecia, e por isso estávamos dispostos a ser a cobrança um do outro. Mas a realidade nos mostrou algo diferente: a nossa motivação para o trabalho está muito mais associada à ansiedade de parar de viver viajando

dúvidas sobre produtividade

momentos como esse nos lembram a importância de sermos focados para trabalhar viajando

balos, 2018

 

A cobrança não veste terno e nem passa atrás dos nossos computadores, hoje é a nossa própria consciência que nos lembra que precisamos trabalhar para não deixar de viver viajando.

Vivendo lugares lindos todo dia, é quase impossível perdemos a consciência de que esta é a vida que nós lutamos para ter e é preciso mantê-la: se fraquejarmos no trabalho, o sonho é ameaçado.

 

O fardo de equilibrar vida pessoal e trabalho

Difícil de acreditar, mas a mesma motivação e ansiedade que nos levam ao trabalho pode nos tirar o tempo de aproveitar os lugares. Nos primeiros meses como nômades, fomos levados por essa ansiedade de manter o dinheiro entrando e acabamos deixando de curtir – coisa que acontece com pouca frequência hoje. 

Não conseguir equilibrar a vida de viajante com a de trabalho é um dos piores tipos de autossabotagem que existe. E logo descobrimos que isso é um problema comum para quem vive assim. Esquecer das prioridades e mergulhar nos problemas dos outros (com trabalho excessivo) é dar razão à voz de que a vida nômade não é permanente, não é possível, não é para você.

trabalhar viajando nem sempre é fácil

às vezes bate uma bad e duvidamos que é possível fazer tudo isso

aveiro, 2017

Nós entendemos que era preciso abrir um espaço para o trabalho e para a gente ao mesmo tempo. E que produtividade não é uma palavra apenas para máquinas humanas movidas a cafeína e dispostas a perderem noites em nome da alta performance. É uma forma de organizar a vida para dar espaço para as coisas que realmente precisamos e também para as que queremos fazer, e tirar da frente tudo o que não faz mais sentido.

Falamos mais sobre esse equilíbrio da rotina de trabalhar viajando no nosso texto sobre slow travel

 

Nosso sistema de recompensa pra trabalhar mais em menos horas

Quando começamos a trabalhar por conta, sentimos na pele o que, em maior ou menor grau de consciência, você também já deve ter sentido: se temos uma tarefa que leva trinta minutos para ser feita, mas temos oito horas para entregá-la, vamos arrastá-la durante as oito. A gente sabe que terá tempo para se distrair, para buscar inspiração, que pode bater papo, checar os emails, demorar-se um pouco mais entre o banheiro e o café até chegar o “momento ótimo” para fazer o que tem que ser feito. 

criamos regras para trabalhar viajando

entre gerenciar o nosso trabalho e a nossa vida, somos o apoio um do outro (detalhe: o lucas tá falando com a nossa próxima host do airbnb)

porto, 2018

Acabamos deixando o trabalho mais denso, o que exige mais esforço e concentração para as últimas horas antes do prazo de entrega. Ou seja: o que realmente coloca a gente produtivo é a deadline, o quanto de tempo temos para fazer acontecer, e não a quantidade de horas sentado na frente do computador. 

Entendendo isso, nós enxugamos o tempo de trabalho e nos propomos um sistema de recompensa para o senso de urgência diário: só podemos sair para explorar a cidade depois de terminar todo o trabalho. Adaptamos esse sistema conforme o fuso de onde estamos, mas a lógica é sempre a mesma: se o mar do Caribe nos espera como recompensa, não queremos procrastinar nem mesmo o trabalho mais árduo.

Na prática, se em seis horas de trabalho a gente não conseguir resolver tudo o que planejamos, não podemos sair. E se isso se repete por alguns dias seguidos, a gente revê todo o nosso planejamento porque, com certeza, tem algo errado. Ficar uma semana inteira só no trabalho, com um lugar incrível e desconhecido ao nosso alcance, tem consequências severas no nosso humor e produtividade, e faz a vida que escolhemos perder o sentido. 

 

As três coisas mais importantes

Mesmo produtivos e com o tempo organizado, podemos sentir que não damos conta. Colocar no papel tudo o que queremos ser e fazer é um exercício revelador: a quantidade de coisas nunca cabe no tempo que temosNa rotina de trabalhar viajando, o drama e a solução estão em escolher o que fazer a cada dia.

Desde o começo do trabalho remoto, experimentamos muitas maneiras diferentes de nos organizar e o método mais eficiente tem sido o de priorizar três coisas por dia. Isso não significa que não iremos fazer outras. Significa que colocamos a nossa melhor energia nas tarefas que vão fazer diferença se forem feitas hoje. Eu, Lucas, por exemplo, tenho picos de produtividade pela manhã. Minhas três primeiras horas do dia são suficientes para fazer coisas que, se eu deixar para a tarde, vou provavelmente demorar uma semana inteira para terminar.

como trabalhar viajando

nada melhor que poder pegar a mochila e sair um pouco sem preocupações na cabeça

porto, 2017

Escolhemos as três coisas mais importantes a partir do planejamento estratégico que fazemos na nossa empresa, que revemos todo mês e reorganizamos toda semana. No momento que estamos agora, de crescimento, nosso foco está em tarefas que:

  1. tornem outras tarefas que temos que fazer irrelevantes;
  2. ajudem as pessoas que trabalham com a gente a serem mais produtivas;
  3. tragam mais retorno financeiro em curto e médio-prazo;
  4. deixem alguém extremamente satisfeito.

No mar de to do’s que podemos criar para nós mesmos, mantemos a sanidade começando pelo que mais importa, que costuma ser também o que é mais difícil. Nas horas restantes de trabalho, o que sobra pra fazer flui fácil. Assim é possível sair pra boiar nas águas do Atlântico às quatro da tarde de um dia de semana, ou fazer um boneco de neve na Croácia. Assim é possível trabalhar viajando. Sem culpas, pendências ou preocupações.

Tudo que já dominamos vai para o piloto automático

Produzir mais também consiste em otimizar o tempo do que é rotineiro. Mesmo que você não seja um especialista no seu trabalho, é fácil perceber que algumas coisas se repetem e mantêm um padrão, mesmo as criativas. Eu, Nath, quando trabalho com pesquisa de mercado para um cliente, por exemplo, sigo um roteiro que foi criado a partir do meu próprio processo, que já repeti com sucesso muitas vezes. Se eu for inventar como fazer isso sempre que precisar, vou gastar tempo desnecessário, corro o risco de procrastinar e talvez não chegue ao resultado que eu quero.

Nossa vida já é cheia de descobertas e decisões diárias (onde vamos explorar hoje, qual produto do mercado eu vou arriscar, qual palavra dessa nova língua devo usar agora), então decidimos que o trabalho seria a nossa rotina.

equilibrar viagem e vida pessoal

geralmente, a nath tem boas ideias de como escalar o nosso negócio em caminhadas pela cidade

porto, 2017

Quando encontramos um caminho eficiente para fazer uma tarefa com sucesso, documentamos em um playbook: uma checklist de passos, com ações claras, links, modelos e tempo necessários. Assim, temos noção de quanto tempo precisamos reservar para que ela seja feita sem ansiedade e com o mesmo resultado. Na medida em que vamos encontrando maneiras mais produtivas, atualizamos o processo.

Os processo claros ajudam a pensar em maneiras de automatizar o trabalho que você faz repetidamente, com ferramentas, o que é interessante não só para quem quer trabalhar viajando. Eu, Lucas, quando recebo um email novo de cliente, ele vai automaticamente (por meio do IFTTT) para minha lista de coisas a fazer no Asana. Quando for a hora de dar prioridade a essas demandas, elas já estão em um lugar só, organizadas. Isso faz parte de um processo de atendimento aos clientes que estabelecemos para nossa agência. Eu, Nath, que faço gestão das campanhas dos clientes no Google Adwords, tenho um relatório no Google Data Studio compartilhado com o cliente, com orçamento e resultados atualizados automaticamente, assim poupo o tempo de reportar cada mudança ao cliente ou tirar dúvidas sobre as campanhas o tempo todo. 

 

Menos horas, mais produtividade, mais clientes

À medida que conseguimos ser mais produtivos, fomos assumindo mais clientes, o que valorizou a nossa hora de trabalho – seis vezes mais do que no nosso emprego anterior. Como a demanda de pessoas querendo nosso serviço cresceu, hoje vendemos nosso serviço pelo dobro do valor de quando começamos a empresa, porque entendemos que ele vale isso no mercado.

Os medos que tínhamos sobre trabalhar viajando deram lugar à certeza do nosso valor, e de que não precisamos nos submeter a qualquer tipo de trabalho que apareça pra nos manter viajando (nem aturar clientes que não querem ter uma relação construtiva). Claro que isso não aconteceu da noite para o dia. Foi um processo longo de tentativa e erro (começamos há dois anos e continua), e que ajudou a gente a descobrir no que não somos bons e no que somos – aquilo que fazemos com agilidade e que gera valor para as outras pessoas.

Nós começamos como uma agência de marketing que fazia de tudo – tudo mesmo. Experimentando, fomos segmentando para algo que chamamos de “orientados à resultado”, porque descobrimos que somos bons em geração de demanda para outros negócios por meio de mídia orgânica, paga, email e outros canais.

Só chegamos aqui, com essa clareza, porque fomos sinceros o suficiente com nós mesmos a ponto de deixar de lado até mesmo aqueles jobs que gostávamos, mas que nos custavam muito tempo (um tempo que poderia ser melhor aproveitado) e não fazíamos com maestria, como criar o design de um site.

 

Tem dias em que trabalhar viajando não funciona 

Os dias ruins existem (ainda que a gente arrisque dizer que em menor frequência), mesmo estando em lugares lindos e diferentes. Aqueles dias nos quais não queremos pensar em nada, quando duvidamos da nossa própria competência. E tudo bem. A gente aprendeu a se perdoar.

A prova de que tivemos tantos outros dias produtivos, em que foi possível dar cada passo pra conseguir viver (e trabalhar) viajando, nos faz ter certeza (quando desmotivados, só querendo rede na praia) que só precisamos de um respiro, e que logo vamos poder contar de novo com nós mesmos. Nada que um remanejamento de tarefas na semana não vá resolver.

como trabalhar viajando

nos dias ruins, os nossos cantos preferidos na cidade viram refúgio para a melancolia (a nath não fica um gnominho com esse gorro?)

zagreb, 2018

Trabalhar viajando não apenas deslocou o nosso trabalho de lugar, mas produziu mudanças tectônicas – como nós trabalhamos, como enxergamos o trabalho, quanto conseguimos gerar de produção e renda por meio dele. Foi preciso estremecer, para que as coisas então se assentassem novamente.

Não era porque o mundo todo trabalhava de um jeito que essa era a única forma. Há outras formas e nós descobrimos a nossa viajando. Ganhando e vivendo mais.

 

Queremos muito saber o que você pensa!